De Autocaravana, tenho vindo a viajar ''cá dentro'' e pela Europa... para lá do Círculo Polar Àrtico - até ao Cabo Norte, onde vivenciei o ''Sol da Meia-Noite''.
Viajei em Autocaravana pelo Norte de Àfrica... (mais de uma vez), muito para lá do Trópico de Cancer... até à Guiné-Bissau.
Fui também por estrada à Àsia - Turquia e Capadócia, sendo que no regresso fiz a Croácia e dei um saltinho a Mostar e Saraevo na Bósnia-Herzegovina.
Sem pretensiosismo literário ou outros, apenas pela PARTILHA, dessas e outras viagens vou dando conta neste espaço.

Países visitados em Autocaravana: - EUROPA: ESPANHA – ANDORRA -FRANÇA-ITÁLIA-MÓNACO- REINO UNIDO - IRLANDA -HUNGRIA-REP.CHECA-SUÉCIA-ESLOVÉNIA - ESLOVÁQUIA- POLÓNIA-AUSTRIA-SUIÇA-ALEMANHA-BÉLGICA-HOLANDA-DINAMARCA-NORUEGA-FINLÂNDIA-ESTÓNIA-LETÓNIA-LITUÂNIA-BULGARIA - BÓSNIA HERZGOVINA- ROMÉNIA -GRÉCIA – CROÁCIA – LIENCHSTEIN – LUXEMBURGO – S.MARINO - VATICANO ÀSIA : -TURQUIA-CAPADÓCIA ÀFRICA: GUINÉ-BISSAU – CASAMANÇA – GÂMBIA – SENEGAL – MAURITÂNIA – SAHARA - MARROCOS

Outras viagens:RÚSSIA (Moscovo e S. Petesburgo) -AMÉRICA do NORTE:CANADÁ (Quebec-Ontário-Montreal-Otawa-Niagara falls) - EUA(Boston-Nova Iorque-Cap Kenedy-Orlando - Miami)AMÉRICA CENTRAL:CUBA (Havana - S. Tiago de Cuba - Trinidad - Cienfuegos - Varadero)- ÀSIA :CHINA (Macau-Hong Kong) - VIETNAM(Hanói-Danang-Ho Chi Min) -

segunda-feira, outubro 31, 2005

1910 km

Talvez a maioria dos nortenhos conheça mal o Alentejo, já que apenas se serve desta região do país, para fazer a travessia, em direcção ao Algarve… Para contrariar essa tendência, nada como apreciar melhor a riqueza do seu património, a beleza das suas paisagens e a hospitalidade das suas gentes.
(o PDA – GPS deu-me uma boa ajuda na escolha dos percursos)

Évora e Beja, serão os pontos mais conhecidos. No intuito de melhor conhecer esta região, decidi fazer uma primeira digressão pelo seu interior, por um período de duas semanas - a surpresa foi enorme - . O Alentejo não é apenas a planície imensa, a praia enorme de trigais ressequidos morrendo ao longe no céu, não se resume a grandes espaços lisos de ar sem asas, sem vento, de silêncios conventuais e de terras sêcas. Tem montes, tem rios a correr para outros rios, trilhos de água de Inverno, brechas secas no estio. O Alentejo, tem um rio grande, o Guadiana, sempre descendo para o mar, em cujas margens dizem, se moía pobreza e solidão… No Alentejo, colinas suaves vestidas de verde polvilhadas de sobreiros, grupos de eucaliptos, ‘’montes" brancos e amarelos onde os ventos se prendem. O Alentejo tem flores, pássaros, cegonhas, rolas, coelhos e perdizes que atravessam as longas estradas planas… O Alentejo não tem apenas herdades, tem muitas aldeias de casas brancas, erguidas com perfeita geometria, casas baixinhas de um só piso, com largas barras coloridas de amarelo ou azul a enquadrar o caiado das mesmas… janelas sombrias onde raramente alguém assoma… chaminés enormes nas fachadas… verdes parreiras e laranjeiras ensombrando as portas e os quintais, muitas igrejas e castelos. No Alentejo não existe apenas a melodia dos chocalhos do gado, tem também vozes de gente boa e simples, com quem é bom estar. Era tempo de redescobrir o Alentejo. Dia 10/10 a meio da tarde, saí de Braga pelo litoral até à Figueira da Foz onde pernoitei. - Dia 11/10 - segui calmamente por Leiria, Marinha Grande – Alcabideche – Torres Vedras – Turcifal – Mafra – Sintra até ao Guincho (Cascais). Dia 12 – fiz o percurso pela marginal de Cascais até Alcântara, continuando pela ponte 25 de Abril até Setúbal, prosseguindo por Alcácer do Sal, onde parei no Restaurante Km 10 no intuito de abraçar amigo, que por pouco não encontraria já que estava de partida para a caça do javali. Prossegui para Beja onde fiquei.
Dia 13 – visita à cidade de Beja. O silêncio da cidade foi quebrado com a estudantada em desfile pela cidade. Para quem como eu gosta de utilizar a bicicleta, registei com agrado a existência de agradáveis Ecovias, e bem assim da existência de bicicletas (PETRAS – Plano Estrarégico de Transportes e de Mobilidade de Beja) para utilização gratuita por munícipes ou visitante.
(as PETRAS)
Dia 14 – Saída para Mértola. Mértola debruçada sobre ‘’o grande rio do sul’’ (Guadiana), agradável para quem queira descobrir os seus encantos, um manancial de história, a tradição e a natureza Continuação da viagem para Pulo do Lobo pois tinha em tempos lido algo sobre o sítio num dos cadernos do ''Expresso''. O Pulo do Lobo – trata-se de zona do Guadiana, onde o rio ‘’encolhe’’ de tal maneira por entre veredas graníticas, que quase se salta para o outro lado. Chega-se lá desde Amendoeira, por uma ‘’estrada’’ de terra batida com cerca de uma dezena de quilómetros até alcançar o rio. Apesar disso e de ter de fazer novamente o mesmo trajecto de volta, a viajem vale a pena e o sítio merece bem o sacrifício. Observei durante a viagem várias dezenas de bandos de perdizes e alguns coelhos se cruzaram comigo. Embora não sendo eu caçador, nunca tinha visto tanta perdiz. Finalmente, chegado ao Pulo do Lobo, por caminhos desertos onde não encontrei vivalma, do alto do monte, a panorâmica geral faz-nos perceber rapidamente o porquê do nome. Trata-se de um estrangulamento geológico natural, onde o rio Guadiana se ‘’encolhe’’. O que acontece é que o rio passa, de repente, dos cerca de uma trintena de metros de largura para três metros e, como consequência, o rio comprime-se e a corrente acelera. O local é de uma enorme beleza selvagem, um autêntico prémio da natureza, com um silencio apenas cortado pelo bater das águas envoltas. Aliás, o Pulo do Lobo aparenta ser bastante desconhecido , É verdade que os acessos não facilitam a divulgação do local – meteu-me dó fazer o percurso na Auto-Caravana ainda a cheirar a nova, tal o estado da esburacada terra batida.Local de visita obrigatória que deveria constar das várias informações turísticas de Portugal. Lá voltei até próximo de Mértola, subir de novo até Beja onde pernoitei de novo. Dia 15 – Pela manhã prossegui viajem por Baleizão até Serpa, onde pernoitei. Assisti à chegada dum ‘’rali’’ de carros antigos que percorria a região. Serpa – povoação fortificada, com o seu bairro de casario rasteiro, branco de cal, ruas estreitas e sinuosas, paredes meias com casas fidalgas ostentando lindos brasões de família. (no Parque de Campismo o ''bichano'' tímidamente fez-me algumas visitas...) (casa de Serpa) Dia 16 – Saída de Serpa passagem de novo em Beja com paragem em Cuba.
As interpretações quanto à origem do topónimo Cuba adiantam duas hipóteses: uma segundo a qual Cuba seria a adulteração da palavra árabe COBA que quer dizer TORRINHA (diminutivo de Torre), e outra que vai buscar a sua explicação ao facto dos soldados de D. Sancho II terem encontrado muitas cubas de vinho quando da conquista da vila aos mouros. Há registos arqueológicos que provam ter sido Cuba habitada desde a pré-história (cultura megalítica, 4 000 a 2 000 a.C.)
Prossegui viagem para almoçar no Alvito. Com uma superfície de 261 Km2 e uma população de quase 3 mil habitantes é um dos concelhos mais pequenos do baixo Alentejo.No que se refere ao Património Histórico e arquitectónico, este existe espalhado por todo o concelho, apresentando vestígios de ocupação humana que remontam ao período neolítico, guarda contudo importantes marcos que testemunham a passagem de povos, como foram os Suevos, os Visigodos, os Romanos e os Árabes, cabendo aos últimos a transmissão de uma riqueza cultural que chegou até aos nossos dias. Visitei as ruínas de S. Cucufate monumento encravado nos campos. A sua longa e diversificada história começa com a ocupação do local a partir do Neolítico Final, tendo sido depois habitado por uma população pré-romana. Foi só em meados do século I d.C. que seu deu lugar à construção de uma villa.
No âmago do Alentejo a quatro léguas de Beja, na fronteira do Alto para o Baixo Alentejo, a Vila da Vidigueira não tem só em redor a imensidão das searas, tem hortas com laranjais, olivais imensos e vinhas muitas.
Prosseguindo cheguei a Moura. Moura – Na zona mais alta da cidade, o castelo, por onde passou grande parte da história de Moura, e ainda a riqueza arquitectónica de igrejas e conventos - terra de águas medicinais onde existem termas desde 1899
Bem situada na planície, de onde se avista o paredão da barragem do Alqueva. Dia 17 – Pelas 11 horas continuei viajem até ao Alqueva tendo almoçado ao lado da barragem. Alqueva – 1 milhão e 100 mil m3 de betão – 20 mil toneladas de aço – 9 milhões de horas de trabalho. Continuando a este da albufeira, surge a nova Aldeia da Luz.


Aldeia da Luz – A nova aldeia renascida pelo surgimento ‘’do grande lago’’.
A outra, a antiga, fica no fundo da albufeira. Alentejana na forma, casas térreas, caiadas de branco com barras coloridas de amarelo e azul, desconhecendo se continuam Alentejanas por dentro. As pessoas que lá vivem, já não se sentam na soleira da porta ao fim do dia a apreciar a fresca e a gente que passa…
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