De Autocaravana, tenho vindo a viajar ''cá dentro'' e pela Europa... para lá do Círculo Polar Àrtico - até ao Cabo Norte, onde vivenciei o ''Sol da Meia-Noite''.
Viajei em Autocaravana pelo Norte de Àfrica... (mais de uma vez), muito para lá do Trópico de Cancer... até à Guiné-Bissau.
Fui também por estrada à Àsia - Turquia e Capadócia, sendo que no regresso fiz a Croácia e dei um saltinho a Mostar e Saraevo na Bósnia-Herzegovina.
Sem pretensiosismo literário ou outros, apenas pela PARTILHA, dessas e outras viagens vou dando conta neste espaço.

Países visitados em Autocaravana: - EUROPA: ESPANHA – ANDORRA -FRANÇA-ITÁLIA-MÓNACO- REINO UNIDO - IRLANDA -HUNGRIA-REP.CHECA-SUÉCIA-ESLOVÉNIA - ESLOVÁQUIA- POLÓNIA-AUSTRIA-SUIÇA-ALEMANHA-BÉLGICA-HOLANDA-DINAMARCA-NORUEGA-FINLÂNDIA-ESTÓNIA-LETÓNIA-LITUÂNIA-BULGARIA - BÓSNIA HERZGOVINA- ROMÉNIA -GRÉCIA – CROÁCIA – LIENCHSTEIN – LUXEMBURGO – S.MARINO - VATICANO ÀSIA : -TURQUIA-CAPADÓCIA ÀFRICA: GUINÉ-BISSAU – CASAMANÇA – GÂMBIA – SENEGAL – MAURITÂNIA – SAHARA - MARROCOS

Outras viagens:RÚSSIA (Moscovo e S. Petesburgo) -AMÉRICA do NORTE:CANADÁ (Quebec-Ontário-Montreal-Otawa-Niagara falls) - EUA(Boston-Nova Iorque-Cap Kenedy-Orlando - Miami)AMÉRICA CENTRAL:CUBA (Havana - S. Tiago de Cuba - Trinidad - Cienfuegos - Varadero)- ÀSIA :CHINA (Macau-Hong Kong) - VIETNAM(Hanói-Danang-Ho Chi Min) -

sexta-feira, agosto 07, 2015

Tour de France... e não só... Parte VI

Dias 8 a 10 de viagem
Dia 8 de viagem – 9julho2015 – 5ª. feira
PAMPLONA – Liedena – SANGÜESA – JAVIER – Monasterio de LEYRE – BEROUN – JACA
Saímos com vontade de fazer pequenas visitas durante o trajeto.
A primeira paragem ocorreu numa pequena localidade de nome Liedena   (Província de Navarra), onde as igrejas se encontravam encerradas.
Seguiu-se Sangüesa, onde após a paragem nos dirigimos a uma pequena indústria de pão, com venda direta ao público, onde, qual a surpresa… ao nos ser dito pelo padeiro que estava ali há já 25 anos e era natural de Chaves.
Sangüesa

O 'Ayuntamiento''
Sangüesa pequena cidade hospitaleira e monumental é uma mistura de montanhas e planícies, um lugar para ver e experimentar.
Localizada a 44 km de Pamplona e com pouco mais de 5000 habitantes, a maior cidade na metade oriental de Navarra é conhecida pelo Caminho de Santiago e um dos seus tesouros arquitetonicos: a fachada da igreja de Santa Maria, com a sua cimeira românica e considerada monumento nacional.
''Portada'' de Sta Maria La Real
Ponte sobre o rio Aragon mesmo ao lado da igreja de Santa Maria La Real
Sanguesa  onde um dos acessos se faz através da ponte metálica sobre o rio Aragón. Depois de passar o rio que corre pelo maior tesouro da cidade e uma das obras-primas de obras românicas de todos os tempos e lugares: a igreja de Santa María la Real. Sua fachada, centrada no julgamento final, também mostra cenas do Antigo e Novo Testamento, animais monstruosos, lendas ou as propriedades da sociedade medieval. O templo foi declarado monumento nacional em 1889 e foi construída entre os séculos XII e XIV.
Igrejas, de construção interessantes e conventos evocam épocas de esplendor a revelar uma cidade ligada às suas tradições.  Aqui acontece a cada 06 de janeiro, o Auto Sacramental dos Magos, um dos cinco eventos do género que são preservados em Espanha.

Caminhamos nas velhas ruas,  parando em cada um de seus esplêndidos edifícios, parte de suas tradições medievais.
Aqui a considerada passagem terrestre entre as primeiras montanhas dos Pirinéus e da depressão do vale do Ebro, nas margens do rio Aragão.   
A igreja de Santa María la Real foi declarada Monumento Nacional em 1889, está localizado perto da ponte sobre o rio Aragão, até a entrada de Sanguesa e a sua visita é obrigatória. 
Considerada uma das obras-primas do românico de todos os tempos e lugares, e se alguma coisa se destaca acima de tudo é a parte espetacular do seu retábulo do século XIII, cujo tema se centra no julgamento final. 

Um lote de cenas bíblicas sobre a pedra do altar. ~
Inevitável a pausa para se desfrutar completamente desta jóia do românico.




Com a passagem pelo edifício do turismo, visitamos uma igreja onde a música se conjugava com as nuances várias de luz, assinalando as partes da igreja objecto de comentário histórico no som recebido.
Igreja de São Tiago
Quando a simplicidade se torna arte?
A Igreja de Santiago está localizado na cidade de Sangüesa Navarra. 
Estilo românico tardio (século XII) terminando no décimo terceiro; um bom exemplo do estilo de transição do românico ao gótico.
Chama-nos a atenção para sua aparência de força, contributo dado pela sua torre, do século XIV, com ameias. 
A influência na Rota do Caminho de Santiago peregrino é evidente na pedra do tímpano (século XVII). 


Uma escultura de pedra de Santiago (XIV), que estave escondida até 1964 sob o piso de uma das capelas e medindo quase dois metros. 
A igreja tem três naves com quatro seções, um cabeçalho semi-circular triplo e várias capelas.
Desde 1977 é Monumento Histórico Artístico.




Outras visitas efectuadas convenceram-nos de que se tratava de pequena cidade, repleta de história, e como não era difícil de crer, se situa na rota do caminho de Santiago.
O poder económico e social na Idade Média atraiu comerciantes, peregrinos e artistas e a prova disso o seu esplendor é o seu rico património histórico e artístico.

Na caminhada pela cidade velha vamos descobrindo a monumentalidade da cidade, com seus belos exemplos na rua, como os palácios de Añués (XV), Iñiguez-Abarca (XVIII), o Town Hall (1570), que tem um belo pórtico, casas de Paris Iñiguez Abarca e Sebastianes.
Ao longo do caminho, pode-se  encontrar outras jóias artísticas, tais como a Igreja de Santiago (românica e gótica), o Convento de São Francisco de Assis (XIII) ou Palácio do Príncipe de Viana, que recorda o momento em que Sangüesa era Tribunal dos Reis de Navarra.  Numa próxima passagem também será interessante  visitar a igreja românica de San Adrián de Vadoluengo, um quilômetro e meio em direção de Sos del Rey Catolico que também não visitamos.
Um pátio interessante


Dizem-nos que a cidade é também um bom exemplo da cozinha tradicional de Navarra, especialmente para os seus feijões (especialidade feijão branco e alguma Confeitaria.
Além disso, na região podem-se  praticar desportos ao ar livre como o parapente, asa delta, passeios a cavalo e canoagem.
Javier
Segui-se JAVIER, cujo castelo haveríamos de visitar, pois no seu interior existe Museu alusivo à vida do Santo ( Francisco Xavier ), até porque, terá sido num dos aposentos que o Santo nasceu.


tinha de ser - aqui terá nascido 'São Francisco Xavier'
Javier Sanctuary é um espaço onde é possível que o homem de hoje, ontem e amanhã receba a Boa Nova para ajudá-lo a seguir o caminho da vida. Javier em cada ano abre as suas portas para milhares de homens e mulheres, cristãos e não-cristãos, vindos principalmente de Espanha, França, Itália, Alemanha, Japão e EUA e claro... Portugal.

Antes da visita, surge a pergunta: O que querem, o que esperam os peregrinos e turistas religiosos visitando Javier? A maioria deles buscar um encontro pessoal com o misericordioso e amável a que chamam Deus por nomes diferentes, de acordo com a sua crença, o que não é o caso.
Aqui paramos pela curiosidade e pelo conhecimento histórico do local.
No Museu, resenha ilustrada da vida do 'santo'



Mesmo assim, poderei dizer que Javier é um lugar privilegiado de evangelização, um espaço de reconciliação, de consolação e de esperança, e um conjunto de arte, história e cultura.

O Santuário é composto pela Basílica, o Castelo com o Museu, o Centro de Espiritualidade (Casa de Retiros e Centro Juvenil Youth Hostel).
Gostei do espaço visitado.

das ameias...
Dali, sob um dia bastante quente, atravessamos para o lado oposto da autovia, para após uma subida íngreme chegarmos ao Monastério Leyre, cuja visita efetuamos, bem como à sua cripta na parte inferior do templo.



Localizado no sopé da montanha de onde tira o seu nome, a 50 km de Pamplona e 16 de Sangüesa, temos o Mosteiro de Leyre, dispondo de tesouros magníficos, como a cripta do século XI, a abóbada gótica ou a "Porta Speciosa ', do século XII - pórtico românico.

O mosteiro fica no município de Yesa, a 52 km da capital de Navarra, Pamplona, no ramo do Caminho de Santiago, que corre ao longo do rio Aragão, a Jaca, o Caminho Francês de Santiago.




A CRIPTA
 IX-XI
As primeiras e autênticas notícias históricas que temos sobre o mosteiro de Leyre é, sem dúvida, a visita de San Eulogio de Córdoba 848.


 Prosseguimos viagem até JACA.







Antes da chegada a Jaca, ligeira paragem em Beroun.
Percorridos: 1004 Km ( Dia 144 Km )
Dia 9 de viagem – 10julho2015 – 6ª. feira
JACA
A pequena cidade de Jaca, encravada nos Pirinéus Espanhóis, pertence à Província de Navarra.

 Uma cidade agradável, com uma cidadela que desta vez não visitamos.
 A sua Catedral é majestosa pelo seu recheio valioso. Dispõe de um Museu onde reside valiosa colecção de pinturas românicas.



















A cidadela







 O local de pernoita ocorreu na parte ainda disponível do parqueamento destinado a autocaravanas, local arborizado,  onde estão a ser realizadas obras de reabilitação, dando lugar a uma área de serviço.
AS/AC N 42º 34’ 05.0’’ W 000º 32’ 43.4’’
Dia 10 de viagem – 11julho2015 – sábado
JACA –  Monastério San Juan de la Peña – BURGUI - RONCAL - ISABA
À saída decidimos retroceder cerca de 50 km, para realizarmos a subida até ao local da Meta do Tour de France que ocorrerá num complexo de sky do lado Francês.
A AS em reabilitação - JACA
O pavilhão de inverno de JACA
 Antes porém, um desvio à esquerda para visitarmos um dos 'icones' da região
Obrigatório visitar o Monastério de San Juan de la Peña.
Passamos o Mosteiro indo a estacionar a 2,5 km mais acima por não haver estacionamento em toda a subida.



passagem na ida em 
Mais acima, já com estacionamento auto, a fachada do novo templo em cujo interior funciona o Museu
 Lá no alto, junto ao novo Mosteiro, adquirimos o ingresso para as duas visitas ( € 7,00 jubilado), que compreende a deslocação de mini-bus.
Sob os penhascos, lá estava o antigo mosteiro, emblemático centro monástico de Aragão, que foi declarado Monumento Nacional em 1889.
 O Mosteiro de San Juan tem como peculiar, ter sido edificado sob uma enorme rocha, que em tempos, serviu de telhado até que parte das paredes foram demolidas.

Em Aragón Pyrenees é um espaço espectacular - Paisagem Protegida San Juan de la Peña e Monte Oroel - , e entre os seus elementos mais relevantes destaca-se o Mosteiro velho de San Juan de la Peña, jóia do período medieval. 







Dos edifícios preservados, apenas parte do que existiam, são excelentes testemunhos das formas artísticas sucessivas em diferentes épocas neste centro singular que tinha vida. 

Particularmente notável especialmente os séculos românicos (XI a XIII), com excelentes exemplos de arquitetura, pintura e escultura. 














































A 'fuga para o Egito' 
A 'última ceia'










No mini-bus, regressamos ao cimo até ao Centro de Intrepretação que visitei.
Como resultado do terrível incêndio de 1675 a decisão de construir um novo mosteiro foi tomada. A sua localização foi escolhida no lugar perto conhecido como Llano de San Indalecio, um belo prado sentado na grande rocha que reuniu condições adequadas para começar uma nova vida.
A construção da nova igreja começou em 1676. Ao longo das suas obras, prolongada até o início do século XIX, os monges tinham o conselho de muitos profissionais, o trabalho do arquitecto Miguel Ximenez Zaragoza foi fundamental, já que foi ele projetou este complexo monástico. 
O plano do edifício é um dos mais perfeitos e evoluiu a partir da arquitetura monástica na Idade Moderna, por simetria, pela multiplicação dos claustros e organização racional que detinha os exemplos originais do projeto, que, infelizmente, nunca mais pode ser realizado na sua totalidade.

A fachada da igreja é um dos aspectos mais interessantes do mosteiro barroco. É famosa pelo envolvimento da sua vegetação exuberante e a decoração baseada em pergaminhos, diferentes tipos de flores, folhas de acanto e caules, mas também o encontrar formas figuradas como os chefes de 'putti' e dois anjos segurando um escudo singular no topo. 
Três santos nos seus nichos estreitamente ligados aos monges que viviam dentro destas paredes estão incluídos. 
No portal central foi representada San Juan Bautista (patrono desta comunidade).

As unidades foram abandonados em 1835 e, desde então, o prédio começou a deteriorar-se gradualmente caindo desde meados do século XX num triste estado de ruína. 
Após uma restauração completa, empreendida pelo Governo de Aragão, o Novo San Juan de la Peña abriga o Centro de Interpretação do Reino de Aragão, o Centro de Interpretação de San Juan de la Peña e Hospice, pertencente à rede de hoteis em Aragón, com a categoria de quatro estrelas.












O histórico e artístico San Juan de la Peña é completado pelo Nova Mosteiro do século XVII, e as igrejas de San Caprasio e Santa Maria, na cidade vizinha de Santa Cruz de la Serós, ambos também do período românico, para onde nos dirigimos.
 Na descida, paragem para apreciar, lá do alto, a paisagem com a  localidade de Santa Cruz de los Serós lá no fundo.


A praça central com o seu 'ex-libris' 
Santa Cruz de los Serós
A 'ermida' de Santa Cruz de los Serós.
Santa Cruz de los Serós
Não haviamos colhido informação sobre esta linda aldeia. Foi na passagem para o Mosteito lá no cimo que nos cruzamos por ela, prometendo cá voltar no regresso. Santa Cruz de Los Serós, pode ser um dos mais bem preservados locais dos Pirinéus, é famosa pela sua arquitetura tradicional, com casas de pedra cobertas com telhas típicas e chaminés encimadas por ''Espantabrujas '' espetaculares figuras conhecidas pelas Belas chaminés de extremidade cónica, com a intenção de proteção da casa. Estamos  numa das aldeias, de maior valor arquitectónico da região.

 O nome "De La Seros" vem de seus vínculos seculares  (Sorores ou serores em aragonês) religiosos, que até o final do século XVI, viveram no Mosteiro de Santa Maria.
O mosteiro de Santa Cruz de la Seros, foi fundado por Ramiro I de Aragão,  no ano de 1060, e originalmente concebido como reserva para as próprias filhas do rei - mosteiro feminino, e alta nobreza aragonesa.

 A Igreja monumental de Santa Maria, jóia do aragonês românica do século XII, que sobreviveu praticamente intacta, enquanto as várias dependência do mosteiro foram desaparecendo com o passar do tempo.

bonito retábulo
 Logo à entrada, surgiu, a igreja paroquial que é dedicada a São Caprasio. Esta é uma construção típica Lombard, que provavelmente data dos séculos X-XI. À frente de uma torre robusta, projetada no final do distante século XII.


 A área é considerada um Sítio de Interesse Comunitário (SIC) e declado ZEPA (Zona de Protecção Especial das Aves). Não surpreendentemente, a Sierra de San Juan de la Peña, abriga uma das maiores populações de águia-pescadora, abutres e urubus da Península Ibérica.

O dia ainda vai longo e temos mais kms para percorrer.
Subir os Pirinéus (lado Espanhol).


Burgui (Navarra) com uma população de apenas duas centenas de pessoas, seguindo-se, e Roncal, até ISABA.

Exploramos as ruas estreitas em torno das casas senhoriais de pedra, harmoniosas e os seus varandins de madeira, com duas ou quatro águas que impedem a neve que no inverno é depositada neles de invadir a casa..

No centro da cidade, a igreja-fortaleza de San Cipriano século XVI fica majestosamente num alto. Apreciamos muitos dos brasões que predominam em Isaba.
A melhor maneira de conhecer a identidade e história de Roncal esteve na visita à Casa da Memória a que o Eduardo aderiu.


O queijo de RONCAL ( em basco: erronkariko gazta) é feito com leite de ovelha produzido no vale do mesmo nome, nas margens do Rio Esca. Denominação de Origem desde 1981 e certificado pela UE desde 1996.  

























Os viveiros de trutas
















Percorridos: 1.111 Km ( Dia 108 Km )
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